Baixo rendimento escolar pode ser sinal de problema oftalmológico. Pais devem estar atentos desde o nascimento da criança
Aproximar-se demais dos objetos, coçar os olhos, lacrimejar, ter dor de cabeça constante. Esses são típicos sinais de que uma criança pode estar com alguma deficiência na visão. Frequentemente, durante a fase escolar, percebe-se que crianças apresentam algum problema; e o início do ano letivo é um momento oportuno para tal. “É importante que os pais tenham a iniciativa de levar os filhos ao médico, porque, na maioria das vezes, eles não reclamam de nada. Uma criança pode passar um ano com rendimento ruim na escola, e, na visita ao oftalmologista, descobre-se que ela tem alguma doença”, explica a especialista em
Oftalmologia Pediátrica Dra. Ana Carolina Collier.
“Até os 6 anos de idade, é recomendado que a criança vá ao oftalmologista anualmente. Até os 3 anos, o teste é mais subjetivo, pois a criança não informa o que sente, porém podemos diagnosticar os problemas através de exames específicos para essa faixa etária”, diz Dra. Ana Carolina. Dependendo do caso, o pequenino deve voltar ao consultório com frequência maior.
Doenças mais comuns, como erros refracionais ou, como são mais conhecidos, astigmatismo, miopia ou hipermetropia, são as principais causas das idas ao oftalmologista. Um dos problemas mais diagnosticados também é o estrabismo, que quando não tratado adequadamente e no tempo certo, pode ser uma das principais causas de cegueira monocular. Quando um olho desvia, para a criança não ver em duplicidade, o cérebro lança mão de um mecanismo chamado supressão, ou seja, ele apaga a imagem do olho desviado e com isso ele irá desenvolver menos visão por falta de uso. “Isso é o que chamamos ambliopia, olho anatomicamente normal e que não desenvolve visão por falta de estímulos”, explica a médica.
O tratamento é feito à base de oclusão do olho bom para forçar o desviado a enxergar. Porém, esse tratamento só será eficiente até aproximadamente 8 a 10 anos, pois a partir daí o cérebro não responderá mais ao estímulo.
Bebês e cuidados com a visão
A Sociedade de Oftalmologia Pediátrica recomenda exames de rotina desde o nascimento, sendo o teste do olhinho o primeiro deles. “Normalmente, na maternidade, o pediatra faz uma inspeção. Porém, um exame mais aprofundado com um oftalmologista é recomendado, porque existem alguns tipos de catarata, por exemplo, que não são perceptíveis a olho nu”, alerta a médica.
A catarata e o glaucoma congênitos, além das anisometropias (grande diferença de grau entre os olhos), são algumas das principais patologias que podem ser diagnosticadas no teste do olhinho, realizado em bebês.
Outra patologia frequente nos nenéns é a obstrução congênita do canal lacrimal, que em 95% dos casos é tratada clinicamente através de massagens. Destaque deve ser dado aos bebês prematuros, que podem desenvolver retinopatia da prematuridade, uma das principais causas de cegueira prevenível no mundo. “Eles devem realizar exames rotineiros para evitar a progressão da doença”, orienta a oftalmologista Ana Carolina Collier.
Para se descobrir o retinoblastoma, um dos mais comuns tumores oculares da infância, um dos sinais que pode ser observado pelos pais é a pupila branca (leucocoria). A médica explica que se tratado precocemente, há uma alta incidência de cura.
Fonte: Assessoria de Comunicação do Instituto de Olhos do Recife