A temperatura na capital federal tem caído bastante, mas muitos não sabem que incidência dos raios solares não diminui. A mistura entre alta radiação solar, baixa temperatura e umidade baixa é um verdadeiro convite a problemas de olhos e pele

Durante o verão, é comum a preocupação em cuidar da pele e dos olhos – as altas temperaturas e os banhos de sol não permitem descaso. Mas depois que ele passa, a maioria das pessoas acaba se descuidando e aí entram em cena as doenças dermatológicas e oftalmológicas, pois são os órgãos que ficam expostos diretamente às intempéries. Especialistas alertam: o tempo frio também é um grande inimigo da pele e dos olhos e o descuido pode gerar a potencialização de doenças graves. E na capital federal, além das baixas temperaturas, quem vive aqui ainda precisa lidar com a baixa umidade.

Em Brasília, o Instituto Nacional de Metrologia (Inmet) tem registrado recordes de baixas temperaturas nos últimos dias, que chegou aos 14ºC de mínima na madrugada de segunda-feira (6/5), de 13°C no domingo (5/5) e também a chegada de uma massa de ar polar, o que deixou o ar mais seco e árido. A expectativa é que o período de estiagem comece oficialmente na segunda quinzena de maio, indo até abril, mas na última
sexta-feira (03) chegou-se aos 30%. Abaixo disso, o risco para a saúde aumenta cada vez mais.

Os olhos

Os olhos, que assim como a pele são órgãos que ficam expostos, também sofrem com as mudanças climáticas, conforme ressalta o oftalmologista Jonathan Lake. Além disso, costumam ficar desprotegidos, pois os óculos escuros acabam esquecidos. Acham que com o frio não há necessidade, mas a radiação ultravioleta continua chegando. “Brasília é uma cidade que o outono e o inverno têm dias ensolarados. Os óculos devem ser elementos indispensáveis durante o ano inteiro. A falta de proteção pode potencializar patologias como edemas, úlceras crônicas, catarata e degeneração macular”, explica.

Para Dr. Celso Boianovsky, também oftalmologista, o tempo mais frio é a grande temporada de conjuntivite viral. “O motivo é o mesmo da grande proliferação da gripe nesse período, a aglomeração de pessoas em
ambientes fechados. As pessoas abrem pouco as janelas e criam um ambiente propício para compartilharem o vírus, sem circulação de corrente de ar”. Um ato simples como lavar as mãos, segundo o médico, ajuda muito a evitar a transmissão do vírus, pois quando o indivíduo coça o olho, por exemplo, pode estar com elas contaminadas. Esterilizar os objetos com álcool que foram utilizados por outras pessoas também pode ajudar.

Segundo ele, o fato dos ambientes não serem constantemente ventilados pode ainda abrir espaço para o aparecimento de alergias oculares. Poeira e mofo prejudicam não só a saúde das vias respiratórias, mas
podem afetar os olhos. É importante observar os agasalhos que ficaram guardados por muito tempo antes de usá-los, pois podem estar empoeirados.

A pele

De acordo com o dermatologista Erasmo Tokarski, o grande vilão da pele durante o esse período é o chuveiro. “No frio, as pessoas tomam banhos mais quentes e mais longos. Isso retira a camada de gordura protetora da pele, que já fica mais fina naturalmente quando a temperatura cai. Essa camada é essencial para manter a hidratação da pele e evita a penetração de bactérias e fungos. Seu enfraquecimento deixa a pele seca e mais sujeita a coceiras e alergias. Além disso, áreas como virilha, axilas e pés ficam vulneráveis a infecções”, explica.

As crianças merecem cuidados ainda mais especiais, pois têm a pele mais sensível e vulnerável. A hidratação é essencial, principalmente de dentro para fora com a ingestão de bastante líquido. “Os pais precisam garantir que precisam redobrar os cuidados para garantir que as crianças estejam sempre bem hidratados”, recomenda.

Entre as doenças mais comuns nessa época do ano estão a dermatite atópica (ou eczema atópico), uma alergia crônica bastante comum em crianças, que ocorre por uma deficiência de hidratação do organismo.
Ela provoca coceiras e até lesões mais sérias, que podem formar crostas e soltar secreções. Também é normal o surgimento da conhecida “impinge”, a dermatofitose da pele, que é agravada durante a temporada
mais fria, causando manchas brancas pelo corpo de aparência bastante desagradável.

Outro problema típico são as urticárias, que se manifestam com placas edematosa, ou seja, com inchaços. O problema ocorre com maior incidência nas áreas que ficam expostas, mas podem aparecer em qualquer parte do corpo, causando coceira e ardência. “O ideal é se aquecer, tomar medicação antialérgica e evitar a exposição ao frio”.

Além das doenças que têm mais propensão nessa época do ano, existem aquelas que são agravadas nesse período, como a psoríase. De causa genética e caracterizada pela aparição de placas avermelhadas com
escamas grossas nos joelhos, cotovelos e no couro cabeludo, o frio pode potencializar seus sintomas.

Redobre a atenção e siga alguns cuidados:

· Evite banhos quentes e seque bem todo o corpo, principalmente as partes mais sujeitas a infecções;

· Evite excesso de sabonetes;

· Usar sempre hidratante;

· Utilize protetor solar;

· Evite o contato direto da pele com fibras sintéticas e lãs. Recomenda-se usar uma malha fina de algodão entre a pele e esses tecidos;

· Evite ficar passando a língua nos lábios porque a saliva possui substâncias digestivas que agridem o lábio e causam rachaduras e até mesmo herpes.







Fonte: Assessoria de Comunicação Oftalmed – Hospital da Visão