O costume de tomar qualquer remédio quando sente algum mal estar, sem a recomendação de um médico, pode causar sérios problemas a saúde. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para Farmacêuticos (ICTQ) realizou um estudo em 12 capitais brasileiras e revelou um dado alarmante: 76,4% da população brasileira fazem uso de medicamentos a partir da indicação de familiares, amigos, colegas e vizinhos. Em Brasília (DF), este índice chega a 83%.
E quando se trata dos olhos não é diferente, a automedicação pode levar, até mesmo, a cegueira irreversível. Segundo o oftalmologista Dr. Sebastião Ferreira o problema é muito maior do que parece. “Hoje em dia é comum ver as pessoas usando produtos para os olhos sem nenhuma supervisão médica. O que representa um risco maior do que se imagina. Em muitos casos, o resultado pode ser contrário ao esperado. Além de não sanar o incômodo, a automedicação pode agravar a doença ou disfarçar outro problema mais grave e até levar a cegueira”, conta.
O especialista conta que apesar de conhecerem os riscos, alguns pacientes ainda procuram se automedicar com produtos que, as vezes, até pioram o quadro do problema. “A água boricada, por exemplo, é uma das substâncias que as pessoas mais usam para trazer alívio as irritações nos olhos, o que pode ocorrer num primeiro momento, mas depois agravar o problema e até mascarar uma infecção mais grave. Até mesmo o uso de soro fisiológico deve ser evitado”, recomenda o oftalmologista.
Já o oftalmologista Dr Jonathan Lake explica que no caso do uso irregular de colírios, vários problemas podem ser causados, até mesmo os que as pessoas julgam serem inofensivos, como aqueles para deixar o olho mais branquinho, também conhecido como adstringente, eles podem causar a catarata. “É importante que a pessoa tenha um diagnóstico correto e utilize o medicamento específico para o problema para que alcance o resultado desejado. O uso incorreto do medicamento pode comprometer a visão e causar problemas sérios como o glaucoma, ressecamento dos olhos e alteração na lágrima. Por isso é tão importante o diagnóstico correto”, indica.
Sintomas
A dupla de oftalmologistas lembra que os sintomas de toxicidade incluem sensação de areia nos olhos, vermelhidão, ardência, sensibilidade à luz e visão turva. “Ao se manifestarem alguns desses sintomas, o uso do colírio ou de qualquer outra substância deve ser interrompido e o paciente precisa procurar imediatamente um oftalmologista para identificar o problema e iniciar o tratamento adequado”, orientam.
Algumas dicas
· Lave as mãos antes e depois de aplicar qualquer medicamento nos olhos;
· As instruções do oftalmologista quanto ao uso do medicamento, como dosagem, número de aplicações e agitação do produto antes da aplicação, por exemplo, devem ser rigorosamente seguidas;
· Se você usa lentes de contato, retire-as antes de aplicar o produto e recoloque-as dez minutos depois da aplicação;
· Pingue somente uma gota de colírio de cada vez;
· Não encoste o aplicador nos olhos para evitar contaminação;
· Não divida seu frasco de colírio com outra pessoa: cada um deve ser de uso individual;
· Caso o oftalmologista tenha prescrito mais de um colírio, deve-se aguardar cerca de 15 minutos entre as aplicações;
· Relate ao oftalmologista qualquer incômodo relativo ao uso do colírio, como ardência, vermelhidão ou irritação. Em alguns casos, será necessária uma nova prescrição.
Fonte: Assessoria de Comunicação do Oftalmed