Oftalmologista apresenta em Brasília pesquisa sobre a influência da visão no aprendizado em audiência da Comissão da Educação

Nesta terça, 29 de novembro a partir das 14h, a Comissão da Educação promove no plenário o 10º debate com o tema "problemas de visão não diagnosticados em crianças em idade escolar" durante audiência pública proposta pelo deputado Bacelar (PTN-BA). Um dos convidados, o oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Neto apresenta no evento os resultados da primeira pesquisa no país a estabelecer a relação entre o uso de óculos e o aprendizado.O levantamento foi conduzido em Campinas, interior de São Paulo, com pais e professores de 36 mil alunos das escolas públicas municipais da cidade, um ano depois das crianças receberem óculos de iniciativa social do Instituto Penido Burnier em parceria com indústrias do setor óptico.

O oftalmologista afirma que na opinião dos professores o uso de óculos para corrigir vícios de refração melhorou o aprendizado de 50% dos alunos, 57% tiveram melhora na concentração e 38,2% ficaram menos agitados. Para os pais, 88% das crianças passaram a ter mais concentração e interesse pelo estudo, todos os que sentiam dor de cabeça pararam de se queixar e 91% começaram realizar tarefas que antes não conseguiam.

Epidemia de sífilis

Queiroz Neto ressalta que apesar dos vícios de refração - miopia, hipermetropia e astigmatismo - responderem 70% dos problemas de visão na infância, a recente divulgação do Ministério da Saúde que registrou aumento de 19% dos casos da sífilis congênita entre 2014 e 2015, eleva o risco das crianças nacidas neste período contraírem retinoblastoma (tumor ocular) retinopatia da prematuridade e catarata congênita, doenças com risco elevado de perda permanente da visão. A dica para os pais é checar se as crianças passaram pelo teste do olhinho logo após o nascimento. Isso porque, só é obrigatório em 10 dos 27 estados brasileiros, entre eles: São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná e Santa Catararina. Se a criança nasceu fora desses estados é aconselhável levar ao oftalmologista. O exame é feito com um oftalmoscópio que  incide luz sobre a pupila (a parte escura no centro do olho) para observar o reflexo retiniano. Na ausência de reflexo ou em casos de assimetria, indica doença congênita e deve ser tratada o mais rápido possível.

Sinais de problemas

O médico afirma que a criança não sabe se enxerga bem. Por isso, lista dicas para os pais identificarem problemas de visão. Até os dois anos afirma que os sinais de alerta são olhos lacrimejantes, pupila muito grande, acinzentada, com reflexo ou opaca, desinteresse pelo espaço e pessoas. A partir dos 3 anos, tombar a cabeça para o lado, olhos desviados para dentro ou para fora, esfregar os olhos com frequência. No início da fase escolar, o hábito de coçar os olhos após ver muito tempo de TV ou videogame, dor de cabeça e nos olhos frequentes, aproximar ou afastar muito o rosto do caderno, reclamar de dificuldade para enxergar o quadro na sala de aula, baixo rendimento escolar e desinteresse pelos estudos. Outra dica é fazer um teste online autoexplicativo que não substitui a consulta no site do especialista www.drqueirozneto.com.br. Outros convidados desta audiência são: Ivana de Siqueira (secretária de Alfabetização Diversidade e Inclusão do MEC), Bento Alcoforado presidente da Abióptica), Homero Gusmão (presidente do CBO) e Isabela Cristina Baudson (professora especialista em deficientes visuais).

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Assessoria de Comunicação do Instituto Penido Burnier