27 de Jul de 2021

Doença pode causar inúmeros danos, inclusive à saúde ocular

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a obesidade um dos principais desafios a serem enfrentados no século XXI. Com a pandemia provocada pelo novo coronavírus, o problema ficou ainda maior, principalmente entre as crianças. O confinamento, uma das medidas protetivas contra o vírus, teve como consequência o sedentarismo e a queda na qualidade da alimentação – dentro de casa, há uma tendência ao consumo expressivo de produtos processados, como salgadinhos e biscoitos, por exemplo, e bebidas açucaradas. O resultado disso: ganho de peso.

Com o intuito de alertar a população sobre os riscos e cuidados necessários para o combate a obesidade infantil, no dia 03/06 é celebrado o Dia da Conscientização Contra a Obesidade Mórbida Infantil. Dados da OMS publicados em 2017 mostram que o número de crianças e adolescentes (5 - 19 anos) obesos em todo o mundo aumentou dez vezes nas últimas quatro décadas: 124 milhões de meninos e meninas são considerados obesos e outros 213 milhões com sobrepeso. Além disso, pelo menos 41 milhões de crianças de até 5 anos de idade apresentam obesidade ou sobrepeso. Mais recentemente, em 2019, dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional mostram que, no Brasil, 16,33% das crianças entre cinco e dez anos estão com sobrepeso, 9,38% são obesos e 5,22% já são considerados com obesidade grave. "A obesidade é prejudicial em todos os sentidos. Ela aumenta o risco de desenvolvimento de doenças metabólicas, o que pode afetar diretamente a saúde ocular. A presença de hipertensão ou diabetes pode causar a retinopatia diabética ou hipertensiva. Alguns trabalhos científicos ainda comprovam a relação entre o aumento da pressão intraocular nas crianças obesas e o risco de instalação de glaucoma", explica Natanael de Abreu Sousa, especialista em Estrabismo e Neuroftalmologia.

De acordo com o oftalmologista, a obesidade também pode estar relacionada à hipertensão intracraniana, o que pode resultar em papiledema – um inchaço nos nervos ópticos, que tende a desenvolver uma atrofia progressiva que, se não corrigida a tempo, pode ser irreversível. "A obesidade cria um estado pró-inflamatório em todo o corpo, o que gera grande produção de radicais livres. Esse fator tem sido correlacionado ao afinamento na camada de fibras nervosas da retina por estresse oxidativo", lembra Natanael.

Para o médico, grande parte desses problemas poderiam ser minimizados com uma alimentação mais saudável. Ou seja, o ideal é que os pais evitem dar às crianças alimentos de alto valor calórico e baixo valor nutritivo, como fast-foods e refrigerantes, e apostem em uma dieta rica em caroteno (precursor da vitamina A), geralmente encontrado em frutas e verduras com cores laranja e amarelos, como cenoura, mamão, etc.; ácido fólico e vitamina B12, como folhas verdes escuras (espinafre) e carnes (fígado de boi ou galinha); e ômega 3, presentes nos azeites e peixes. "Consumidos de forma variada, regular e equilibrada, eles auxiliam no controle da pressão intraocular e melhoram a oxigenação do olho se tornando grandes aliados para a saúde dos fotorreceptores da retina e neurônios do nervo óptico", assegura. Ele ainda acrescenta a importância da ingestão de doses diárias de alimentos antioxidantes, como as castanhas. "Eles têm papel importante na prevenção dos processos naturais de envelhecimento do corpo, o que inclui também o olho e suas estruturas mais nobres: córnea, cristalino, retina e nervo óptico", completa.

O oftalmologista destaca ainda a necessidade de se incluir os exercícios físicos na rotina das crianças. "Praticar esportes regularmente auxilia no processo metabólico da glicose no sangue, direcionando as moléculas para os músculos. Assim, conseguimos evitar lesões nas artérias dos olhos decorrentes do acúmulo de glicose no sangue", ressalta o especialista. Além do mais, ao dedicar pelo menos duas horas diárias para se exercitar ao ar livre – jogando futebol, nadando ou andando de bicicleta, por exemplo – reduz-se a exposição aos eletrônicos aumenta-se a exposição solar, o que é extremamente benéfico ao olho. "Trancados em casa, a diversão dos pequenos fica concentrada na TV, nos tablets, celulares e computadores. Estudos demonstram que o tempo do uso excessivo da visão próxima pode causar o desenvolvimento da miopia. Ou seja, quanto mais tempo longe das telinhas, olhando para o horizonte, menor a chance de instalação e progressão da miopia, melhor para a saúde ocular do seu filho", finaliza o Dr. Natanael.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: assessoria de comunicação do Grupo Opty