Dados de um estudo realizado pelo Centro de Medicina Aeroespacial (Cemal), órgão da Força Aérea Brasileira (FAB), revelam que a quantidade de raios ultravioletas, infravermelhos e luz sensível que ultrapassa as janelas das cabines das aeronaves é até três vezes maior do que o esperado. A exposição excessiva e continuada dos pilotos à radiação pode torná-los mais vulneráveis a doenças como câncer de pele e catarata.
"Os primeiros resultados da pesquisa nos surpreenderam. Esperávamos que as janelas deixassem passar até 10% de radiação, mas entre as amostras analisadas, há casos em que esse porcentagem chega a 30%", disse o diretor do Cemal, brigadeiro-médico José Roberto Gabriel, observando que a saúde da tripulação é fundamental para a segurança do vôo.
A suspeita da exposição excessiva à radiação surgiu diante das queixas frequentes de calor dentro da cabine de comando, além dos casos de fotofobia relatados por pilotos de avião.
Pesquisadores do Cemal, onde são realizadas as avaliações médicas dos cerca de 70 mil pilotos civis e militares do País, decidiram então testar 16 diferentes tipos de janelas e pára-brisas de cabines, analisados no Laboratório de Ótica do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) de São José dos Campos, no interior de São Paulo.
Segundo um dos coordenadores do estudo, major-médico Geraldo Oliveira, as janelas feitas de polímero (um tipo de plástico) são menos resistente à radiação do que as de vidro, mas em ambos os materiais há incidência de radiação nas cabines. Por isso, ele avalia que o estudo poderá determinar uma mudança na fabricação de materiais para aeronaves.
"Precisamos garantir mais proteção aos pilotos. Atualmente, as aeronaves estão voando cada vez mais alto, ou seja, estão mais expostas à radiação. A cada mil pés (30 metros) de altitude, a ação dos raios infravermelhos e ultravioletas, além da luz sensível, aumenta entre 4% a 6%. Como grande parte dos vôos são realizados a 35 mil pés, a exposição é até 150% se comparada à existente ao nível do mar", explicou.
Oliveira explicou que o problema preocupa especialmente o Brasil e os países tropicais por causa da proximidade com a linha do Equador, onde a radiação é maior. "Por isso não existem pesquisas sobre o assunto feitas na Europa ou nos Estados Unidos", explicou.
Fonte: Tribuna da Imprensa