27 de ago de 2026
Estudo mostra que 7 em cada 10 óculos de grau não têm filtro solar. Falta de proteção antecipa doenças nos olhos. Saiba come escolher seu solar

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 20% dos casos de catarata são causados pela falta de proteção solar. A doença, maior causa de cegueira tratável no mundo, é uma resposta à formação de radicais livres que opacifica o cristalino, lente do olho que projeta as imagens na retina.

Se depender dos hábitos do brasileiro pode ter uma incidência bem mais alta que a estimada pela OMS. Isso porque, uma pesquisa, feita com 223 pacientes com mais de 50 anos pelo oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, mostra que os óculos de grau de 7 em cada 10 entrevistados não têm filtro solar.

O levantamento também revela que 56,7% dos participantes desconhecem os danos que a radiação UV (ultravioleta) emitida pelo sol pode causar aos olhos. Quando o assunto é pele, 70% afirmaram usar filtro solar.

Doenças causadas pela radiação UV

O médico esclarece que além da catarata, a radiação provoca na retina a degeneração da mácula, parte central responsável pela visão de detalhes apontada como a maior causa de cegueira definitiva no mundo.

Ele diz que a falta de proteção também resseca a lágrima e pode causar fotoceratite, uma inflamação da camada externa da córnea que provoca vermelhidão e sensação de areia nos olhos.  “Geralmente esta sensação desaparece de um dia para outro, mas muitas células morrem e podem ocorrer cicatrizes permanentes na córnea” afirma.

Nas pálpebras, ressalta, podem ocorrer manchas de senilidade e até câncer. A falta de proteção UV no verão também aumenta os casos de pterígio, membrana que cresce na conjuntiva em direção à córnea, confundida com catarata por muitas pessoas. Ainda na superfície do olho o especialista diz que radiação UV faz surgir lesões pré-malignas e cancerígenas que têm a mesma aparência do pterígio.

Mulheres têm olhos mais sensíveis

Queiroz Neto afirma que os olhos da mulher sofrem mais com a falta de proteção. Isso porque têm mais propensão à fotofobia, aversão à luz, que pode estar relacionada ao uso de pílula anticoncepcional e à menopausa que aumenta o olho seco. Além disso,  outro estudo feito por Queiroz Neto mostra que a incidência de catarata na mulher é 30% maior por contra do estresse oxidativo mais intenso entre elas. A boa notícia é que os óculos baratos de boa procedência também oferecem proteção. É o que aponta uma análise da Proteste, entidade de defesa do consumidor, feita no final do ano passado. Das 11 marcas analisadas, só a pirata, não oferecia proteção UV. A análise mostra que até a mais barata das marcas, Chilli Beans, na época vendida a R$ 118 apresentava boa proteção UVA e UVB.

De acordo com Queiroz Neto uma forma de verificar se os óculos têm boa proteção é checar na ótica se têm a certificação ABNT NBR ISO 15111 que regulamenta os solares vendidos no Brasil desde 2004.

Como escolher os óculos de sol

Segundo Queiroz Neto, bons óculos escuros ajustam a quantidade de luz que chega aos olhos sem alterar a visibilidade.  Até os 10 anos de idade, período em que a visão está sendo moldada, o ideal é proteger os olhos com chapéu ou boné, e retirar as crianças do sol no horário de pico da radiação, entre 10 e 16 horas. Para o dia a dia as melhores cores elencadas pelo médico são:

· Âmbar, marrom - permitem boa visão de profundidade, além de reduzirem reflexos.

· Cinza - ideal para dirigir em dias nublados porque permite melhor visão de contraste.

· Rosa e púrpura – indicadas para surfistas por melhorar a visão de contraste em fundos azul ou verde.

· Amarela – para diminuir o ofuscamento de motoristas no lusco-fusco do entardecer.












Fonte: Assessoria de Comunicação Penido Burnier