30 de ago de 2026
Nem impressão digital nem reconhecimento de voz – a tecnologia permite a identificação por meio da íris, reduzindo as chances de erro para 1 em 1,2 milhão

Você chega a um escritório e ao invés de apresentar algum documento de identificação, você simplesmente aproxima os olhos de uma máquina leitora e em questão de segundos a porta se abre. Não, você não está lendo o roteiro de um filme de ficção. Trata-se, na verdade, de um sistema biométrico de leitura da íris – hoje considerado um das técnicas mais avançadas em termos de segurança no mundo, deixando para trás os sistemas mais antigos de impressão digital, ou até os mais modernos, como mecanismos de voz.

Presente em diversos países, inclusive no Brasil, a biometria é uma ciência de identificação baseada na leitura precisa de traços biológicos, como impressão digital, identificação da mão, leitura de íris, escaneamento de retina, cálculo geométrico da face e reconhecimento de voz. A leitura da íris, entretanto, leva vantagem sobre vários outras formas de identificação por ter milhares de pontos a mais para serem identificados, o que diminui a chance de erros. Aos sete meses, o ser humano já tem todas as características do olho formadas, que só perde ao morrer. 

O sistema de identificação de íris funciona por meio de um software que contém algoritmos e transforma a íris em um código. Quando o usuário se aproxima, câmeras de autenticação avançadas capturam a imagem de sua íris, sem lasers ou luzes fortes, e a comparam ao código correspondente. A margem de erro para esta tecnologia é mínima: o reconhecimento de voz pode falhar 1 vez a cada 3 mil identificações. A leitura da mão fica com margem de 1 para cada 1 mil. Para a impressão digital, a proporção cai de 1 para cada 10 mil e a leitura da íris tem uma relação de 1 erro para cada 1,2 milhões de tentativas.

O mais interessante dessa história é que muitas organizações mundiais, como o FBI (a polícia federal americana), a Marinha e a Secretaria de Estado americana, utilizam essa técnica, que foi desenvolvida no Brasil. Isso mesmo: milhares de pessoas no mundo todo têm suas íris identificadas graças à tecnologia nacional.

Para o diretor de marketing da Politec, empresa que desenvolveu esse software, Filipe Rizzo, o sucesso da técnica está ligado à pequena probabilidade de erros na leitura. “Se fizéssemos o teste em toda a população do planeta (hoje são mais de 7 bilhões de pessoas), não encontraremos uma íris igual. Seriam necessárias mais de 10 bilhões de íris para encontrarmos uma parecida. Isso demonstra a eficiência dessa técnica”, explica.




Fonte: Revista 20/20 Brasil