25 de ago de 2026
Maioria dos brasileiros dorme mal e pode ter graves doenças oculares. Alterações hormonais fazem a mulher sofrer mais. Outros vilões são: dieta, estresse e luz dos eletrônicos. Saiba como se proteger.

Levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que os distúrbios do sono atingem quatro em cada dez pessoas no mundo. No Brasil é um problema em ascensão. A mais recente pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa e Orientação da Mente (IPOM) no final de 2012 mostra que atinge 69% dos brasileiros com idade de 20 a 60 anos. 

De acordo com o oftalmologista Dr. Queiroz Neto, nossa vida é regida pela luz que regula todas as funções biológicas no período de um dia. Por isso, o sono é vital à saúde. O hábito de dormir menos de 6 a 8 horas diárias recomendadas internacionalmente, ressalta, aumenta o risco de alterações vasculares na retina que podem causar a perda definitiva da visão. Isso porque, afirma, diversas pesquisas apontam uma correlação entre a falta de sono e o aparecimento da obesidade, diabetes e doenças cardíacas, importantes fatores relacionados às degenerações nos vasinhos do fundo do olho. 

O médico explica que o estresse gerado pela dificuldade para dormir desorganiza o consumo de glicose pelo organismo e dificulta a utilização da insulina secretada pelo pâncreas. A obesidade e o diabetes são efeitos deste processo. 

Mulheres sofrem mais  

O sono insuficiente, ressalta, também eleva o nível de dois marcadores inflamatórios ligados às doenças cardíacas - a molécula interleucina-6 (IL-6) e a proteína C reativa de alta sensibilidade (hs-CRP). O especialista destaca que um estudo britânico mostra que esta elevação é maior em mulheres do que entre homens. O problema, comenta, é que os distúrbios do sono são mais frequentes entre mulheres por causa das alterações hormonais que regularmente experimentam na tensão pré-menstrual (TPM), menstruação, climatério e menopausa. Não por acaso, observa, um relatório publicado no início deste mês pela Sociedade de Pesquisa em Saúde da Mulher (EUA) sugere à comunidade científica o desenvolvimento de estudos da 
higiene do sono abordando as diferenças entre os sexos. 

Queiroz Neto destaca que um estudo realizado por ele com 960 pacientes, sendo 540 mulheres e 420 homens com idade entre 23 e 65 anos demonstra que na população feminina os problemas visuais não relacionados à presbiopia e aos erros refrativos (miopia, astigmatismo e hipermetropia) são 50% maiores do que entre homens. "Os hormônios sexuais que fazem dos distúrbios do sono serem mais frequentes na população feminina, também respondem pela maior incidência de olho seco, glaucoma e da catarata prematura nas mulheres que entram na menopausa precocemente", comenta. 

Outros efeitos do estresse  

O médico destaca que os distúrbios do sono comprometem a imunidade e portanto a capacidade de nosso organismo combater infecções e ter reações equilibradas às agressões externas. Por isso, afirma, quem dorme mal tem mais facilidade de contrair conjuntivite viral e bacteriana ou ter conjuntivite alérgica, especialmente no frio e períodos de estiagem prolongada. Outro efeito é a maior liberação dos hormônios do estresse - cortisol e adrenalina - que aumentam a produção de radicais livres. No olhos, a maior produção de radicais livres favorece o envelhecimento precoce, e o aparecimento da catarata. 

Como prevenir  

O oftalmologista diz que algumas alterações na dieta podem minimizar os efeitos do estresse e reduzir o distúrbio do sono. As principais dicas do médico são: 

· Frutas ricas em vitamina C - laranja, goiaba, acerola - diminuem a produção do cortisol, protegem os olhos dos radicais livres da catarata 

· Inclua carboidratos no jantar para aumentar a produção de insulina 

· Peixes de água fria (salmão e sardinha), semente de linhaça e frutos do mar equilibram a lágrima e previnem a degeneração macular 

· Uma castanha do Pará - contém selênio, protege os olhos e combate a depressão 

· Espinafre e brócolis - previnem a depressão e protegem a retina 

· Café, doces e gorduras saturadas devem ser evitados principalmente a noite 

· Evite usar computador, tablet ou smartphone a noite - a luz azul destes dispositivos dificulta o sono.






Fonte: Assessoria de Comunicação do Instituto Penido Burnier