25 de ago de 2026
Esgotamento que cresce com as agendas apertadas do final de ano pode provocar desde tremor nas pálpebras até crises de herpes, formação precoce da catarata e degeneração na retina

O Brasil é o segundo país com maior nível de estresse no mundo. Segundo pesquisa da International Management Stress Association (ISMA) 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem de esgotamento físico e mental conhecida como síndrome de Bournot. O problema se agrava no final de ano por conta do acúmulo de tarefas. O oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Neto, afirma que  o tremor nas pálpebras ou piscar involuntariamente sem parar, alterações conhecidas como blefaroespasmo, são o primeiro sinal de que uma pessoa chegou ao seu limite. O movimento involuntário das pálpebras, explica, acontece porque o estresse reduz os níveis de magnésio, potássio e cálcio que mantêm o bom funcionamento de todos os nossos músculos, inclusive dos orbiculares que respondem pelo movimento palpebral. Caso o ritmo das atividades não seja diminuído surge a síndrome de Bournot. A síndrome é  caracterizada por insônia, elevação da  pressão arterial, alterações cardíacas e do humor que acarretam queda na produtividade. 

O especialista afirma que o blefaroespasmo também pode estar relacionado a outras doenças oculares como a blefarite (inflamação da pálpebra), ceratite (inflamação da córnea), olho seco e alergia, além das alterações no sistema nervoso quando vem acompanhado de desvio da boca ou dificuldade na fala. O tratamento depende da causa. "Em muitos casos é resolvido com descanso e suplementação alimentar. Para pacientes que piscam sem parar pode ser necessária a aplicação de botox", explica. 

Agravamento do herpes  

Queiroz Neto diz que o estresse também desencadeia crises de herpes ocular. Geralmente o vírus é contraído na infância. Os sintomas são olho vermelho, lacrimejamento, dor, visão turva, fotofobia e sensação de corpo estranho. É uma doença que exige acompanhamento médico por toda a vida e qualquer deslize no uso de colírios por conta própria pode causar perfuração. Foi o que aconteceu com uma paciente de Queiroz Neto que só não perdeu o globo ocular porque o médico selou a córnea com cola para depois fazer o transplante. 

Dieta combate radicais livres  

Outro efeito do estresse sobre os olhos é o acúmulo de radicais livres que acelera a oxidação das células do cristalino e leva à degeneração de células da retina e à formação precoce da catarata, doença que torna a lente do olho opaca. Queiroz Neto afirma que a rotina estressante pode ter uma ação mais devastadora sobre a visão da mulher. Isso porque, a metanálise de diversos estudos relacionados à saúde feminina demonstram que o envelhecimento fisiológico da mulher é mais rápido que o do homem. A boa notícia é que incluir na dieta alimentos ricos em  betacaroteno, luteína, zeaxantina, vitamina E, vitamina C e zinco protege os olhos dos danos causados pelos radicais livres. Isso não quer dizer que a suplementação recupere a visão ou impeça o desenvolvimento da degeneração da retina, maior causa de cegueira irreversível no mundo. Entretanto, um estudo do National Eye Intitute, órgão do governo americano, aponta que a suplementação com antioxidantes reduz em 25% a progressão da doença. Já contra a catarata, o médico diz que  o melhor protetor é a luteína por filtrar a luz azul, responsável pela oxidação do cristalino. O consumo de fontes de ômega-3 é o mais indicado para combater  o olho seco. 

Os principais alimentos elencados pelo médico para  preservar a saúde ocular são: 

Ovos, laticínios, cenoura, pimentão vermelho, manga e folhas de verde intenso 

- Vitamina A/Betacaroteno 

Amêndoas, semente de girassol 

- Vitamina E 

Frutas cítricas, mamão, tomate, brócolis 

- Vitamina C 

Mariscos, ostras, feijão, lentilha, nozes 

- Zinco 

Gema de ovo, folhas verdes, ervilha 

- Luteína 

Milho, pimentão amarelo, laranja, abóbora 

- Zeaxantina 

Bacalhau, salmão, atum, arenque, semente de linhaça 

- Ômega 3 

Os suplementos só devem ser usados sob prescrição médica. Isso porque, altas doses de zinco e ômega 3, por exemplo, podem causar hiperplasia prostática e o betacaroteno em grande quantidade aumenta o risco de câncer no pulmão entre fumantes. 









LDC comunicação do Instituto Penido Burnier