26 de mar de 2026

Exame oftalmológico é condição fundamental para reduzir casos de cegueira reversível

As paralimpíadas do Rio demonstraram, mais uma vez, que possuir uma deficiência física não é um impeditivo para superar limites e vencer. Apesar desses exemplos de vida e de vários instrumentos legais que asseguram os direitos da pessoa com deficiência, ainda é necessário lembrar a importância de garantir os direitos desses cidadãos e sua plena igualdade de condições, além de combater qualquer tipo de discriminação ou preconceito. É com esse mote que, hoje, dia 21 de setembro, comemora-se o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. “Nessa data reconhecemos os avanços que já foram conquistados, mas ao mesmo tempo devemos refletir e pensar em novos caminhos para avançar por uma inclusão social plena de acessibilidade, como por exemplo, para as pessoas cegas”, comenta o oftalmologista Dr. Roberto Galvão.

O Dr Galvão chama a atenção para a necessidade do acesso universal à saúde ocular e ao exame oftalmológico, que são considerados condições fundamentais para a redução de casos de cegueira evitável no Brasil. O país possui cerca de quatro milhões de pessoas com deficiência visual e aproximadamente 1,25 milhão de pessoas cegas, de acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO). Apesar desses números, ainda há muitos casos de cegueira precoce que poderiam ser evitados. “Por ser um órgão exposto a diversos fatores externos, como raios ultravioletas, poeira, poluição e outros, o olho pode ser acometido de doenças que também tendem a se agravar com a idade e podem levar à cegueira. Por isso, o acesso de todos à saúde ocular para prevenir doenças é sempre o melhor tratamento”, alerta o médico.

Informação

De acordo com o Dr Galvão, é essencial informar a sociedade e promover campanhas educativas que chamem a atenção para a necessidade de visitas anuais ao oftalmologista. Isso porque oito em cada dez casos de perda de visão podem ser impedidos. “O problema é que muitas doenças oftalmológicas são assintomáticas, como o glaucoma, que provoca cegueira irreversível, mas pode ser evitada pelo diagnóstico precoce. Para o glaucoma, o conhecimento do paciente é importantíssimo, pois mais de 40% dos portadores simplesmente desconhece a doença. Daí a necessidade das consultas periódicas com o oftalmologista, para detectar doenças silenciosas que podem levar à cegueira”, reforça.

A realização de exames preventivos e complementares também é indispensável. “Muita gente só procura o oftalmologista para trocar os óculos. As pessoas esquecem que, além do exame da refração, o médico precisa fazer o screening de algumas doenças como a catarata, o glaucoma e a degeneração macular relacionada à idade”, destaca o médico.

Segundo o Dr Galvão, através da conversa com o paciente, do exame clínico, de testes e exames complementares, que muitas vezes são indolores e rápidos, é possível identificar alterações ou patologias nos olhos, possibilitando um tratamento precoce e eficaz. Confira a seguir as principais causas de cegueira no Brasil, apontadas pelo oftalmologista:

Catarata

É uma das principais causas de cegueira reversível no Brasil e consiste na perda da transparência no cristalino. A incidência da catarata é hoje maior, porque a expectativa de vida das pessoas aumentou, afetando a população da terceira idade. Ela pode ser congênita, mas ainda não é a principal causa de cegueira em crianças. Também pode ser traumática, adquirida após uma pancada. Doenças como reumatismo e diabetes podem acelerar seu aparecimento. Outro fator que pode provocar catarata é o uso de medicamentos, como corticoides, em excesso. A catarata é curável graças aos avanços da microcirurgia, mas precisa ser descoberta e tratada cedo.

Glaucoma

De acordo com o Ministério da Saúde, o glaucoma corresponde à segunda causa de cegueira irreversível no mundo e à terceira no Brasil. Por tratar-se de uma doença assintomática, na maior parte dos casos, ela faz com que o paciente não perceba seu desenvolvimento. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial. Quem tem parentes com glaucoma, os míopes e os idosos têm mais chance de desenvolverem a doença.

DMRI

A primeira causa de cegueira entre pessoas da terceira idade, nos países desenvolvidos, é a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI). Embora menos frequente no Brasil, o índice de pacientes com a enfermidade cresce de forma alarmante, devido ao aumento da expectativa de vida da população e mudança nos hábitos alimentares. A DMRI é uma condição ocular relacionada ao envelhecimento, que provoca o crescimento anormal dos vasos sanguíneos sob a retina, tecido responsável pela captação das imagens enviadas ao cérebro através do nervo óptico. A doença pode se apresentar na forma clínica seca e úmida. A DMRI se detecta facilmente, através do mapeamento da retina, mas os sintomas podem ser enganosos e confundir o paciente. Os principais sintomas são a percepção de imagens tortas ou retorcidas, manchas na visão, interrupção das imagens com uma mancha no centro e perda súbita de visão.

Teste do Olhinho

Também conhecido como Teste do Reflexo Vermelho, esse exame deve ser feito nos primeiros instantes de vida da criança, ainda na maternidade, ou no primeiro mês de vida. Ele verifica a presença de leucocoria - mancha branca no olho - e descarta problemas congênitos. Trata-se de um exame de baixo custo, de realização simples e todo recém-nascido deve fazê-lo.

Infância

Na infância, a atenção não deve ser minimizada. Os cuidados iniciam-se na gestação, pois durante sua formação a criança pode ter a visão afetada por uma série de fatores. Embora ela possa ter caráter hereditário, a catarata muitas vezes está ligada ao contágio por rubéola. Ou seja: basta o devido acompanhamento pré-natal, com a observação das recomendações médicas, para que a mãe proteja a visão de seu filho. Outro cuidado relevante, diz respeito às crianças em fase escolar. Todas devem ser submetidas ao exame de acuidade visual. Os defeitos refrativos – miopia, hipermetropia e astigmatismo – também protagonizam a perda visual quando não são corrigidos no momento certo.

 

 

Fonte: Assessoria de Comunicação do Instituto de Olhos do Recife (IOR)