05 de Jul de 2020

Pesquisa revela que a cirurgia de catarata melhora a qualidade do sono e auxilia no combate de comorbidades associadas à dificuldade para dormir. A falta de sono conforme envelhecemos não é um mito, é verdade. Um estudo dinamarquês publicado na revista Ophthalmology da Academia Americana de Oftalmologia (AAO) mostra que a cirurgia de catarata melhora a qualidade do sono, além de combater a sonolência diurna que aumenta o risco de acidentes e quedas comuns em quem tem a doença.

cataratasono

O oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Neto afirma que a melhora do humor e autoestima é visível em pacientes que já passaram pela cirurgia. Para ele, a pesquisa explica a ascensão dos distúrbios do sono no mundo estimados em 40% pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso porque, a maior causa da catarata, doença que torna o cristalino do olho opaco, é o envelhecimento.No Brasil, comenta, 23% das pessoas diagnosticadas com catarata não passaram pela cirurgia, única forma de tratamento, por acreditarem ser desnecessário, segundo a mais recente pesquisa sobre o assunto, divulgada no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O especialista adverte que adiar a cirurgia torna o procedimento menos seguro e aumenta o risco de outros problemas de saúde relacionados à dificuldade para dormir: hipertensão, diabetes, sobrepeso e colesterol alto.

Efeitos da luz após a cirurgia

O estudo foi realizado com 73 participantes, sendo 41 mulheres e 35 homens com idade de 50 a 94 anos, todos portadores de catarata senil. Aponta um aumento de até 3 vezes na absorção de luz azul pelas células ganglionares da retina após a cirurgia. Queiroz Neto, explica que por contraditório que possa parecer a luz azul é responsável por nosso estado de vigília, mas é ela também que melhora a qualidade do sono após a cirurgia de catarata. Isso porque, a substituição do cristalino opaco por uma lente transparente permite às células ganglionares da retina aumentarem a produção de melanopsina, um pigmento que regula e o nosso "relógio biológico", naturalmente controlado pela exposição à luz.

Perigo dos eletrônicos

O oftalmologista adverte que este relógio biológico pode sofrer uma pane nos viciados em redes sociais que permanecem conectados durante a noite. Isso porque, a melatonina, hormônio indutor do sono só é produzida em ambientes escuros e as telas dos eletrônicos continuam emitindo a luz azul predominante durante o dia. As dicas de Queiroz Neto para sincronizar o relógio biológico são:

· Escurecer ao máximo o quarto antes de dormir para estimular a produção de melatonina que reduz o cortisol e adrenalina.

· Evitar computadores e outros dispositivos eletrônicos no horário de dormir.

· Incluir na alimentação laticínios, nozes, gergelim e tofu que contém triptofano, precursor da melatonina.

· Praticar exercícios físicos diariamente.

· Evitar alimentos ricos em cafeína que elevam o estresse e alimentos gordurosos, especialmente à noite.

· Usar óculos, monitor com filtro ou baixar o aplicativo f.lux que elimina a luz azul das telas.

 

 

 

 

 

Fonte: Assessoria de Comunicação do Instituto Penido Burnier