28 de Set de 2020

Edema macular diabético, doença associada ao controle inadequado do diabetes, é a principal causa de cegueira em idade produtiva

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Considerada umas das doenças crônicas mais comuns do mundo, o diabetes atinge globalmente 463 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos (38 milhões a mais em comparação com 2017). O diabetes tipo 2, que ocorre geralmente em virtude de maus hábitos alimentares e estilo de vida, responde por cerca de 90% dos casos. O Brasil é o 8º país com maior prevalência da doença, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Atualmente, a enfermidade atinge 16 milhões de pessoas no País, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Diabetes. 

No entanto, o número de brasileiros diagnosticados vem crescendo exponencialmente. O alerta vem da nona edição do Atlas de Diabetes, documento produzido a cada dois anos pela Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês) e que mapeia a dimensão da doença em 138 países. Segundo esse levantamento, o número de brasileiros com diabetes aumentou 31% nos últimos dois anos, enquanto no resto do mundo essa taxa ficou em 9%. Se as tendências atuais persistirem, a IDF calcula que, em 2030, serão 578 milhões de diabéticos no mundo e, em 2045, 700 milhões.

Diabetes e os riscos da perda da visão

A falta de controle adequado do diabetes ocasiona diversas complicações, dentre elas doenças que podem causar a perda da visão, o que coloca o diabetes como a principal causa de cegueira em pessoas em idade produtiva. Uma dessas graves consequências é o edema macular diabético (EMD), que afeta a retina — parte de trás do olho, sensível à luz, e responsável por formar imagens enviadas ao cérebro — e se desenvolve devido ao excesso prolongado de açúcar no sangue. Isso prejudica os vasos sanguíneos causando o extravasamento de líquidos, o que provoca o inchaço da retina. Estudos mostram que depois de 20 anos com diabetes, 90% dos pacientes com o tipo 1 e 60% dos pacientes com o tipo 2 desenvolvem retinopatia diabética, e cerca de 30% dessas pessoas desenvolverão o EMD.

"É imprescindível que os pacientes com diabetes mantenham a doença sob controle, para evitar complicações, como o edema macular diabético, que traz um impacto negativo importante na qualidade de vida das pessoas. Ele dificulta a execução de atividades rotineiras como, por exemplo, ler, cozinhar e dirigir e se não for diagnosticado e tratado precocemente, pode levar esses pacientes a uma perda irreversível da visão", alerta a oftalmologista Dra. Liane Touma. 

Tratamento e acesso no SUS

O EMD não tem cura, e o tratamento varia de acordo com o tipo e a gravidade da doença que o paciente apresenta, determinados no momento do diagnóstico, podendo incluir injeções de antiangiogênicos (anti-fator) de crescimento vascular endotelial (VEGF), uso de anti-inflamatórios e cirurgia para remover o vítreo, chamada de vitrectomia, ou cirurgia a laser. As estratégias terapêuticas mais eficazes visam combater as causas do EMD, ou seja, o diabetes descontrolado (altos níveis de glicose no sangue) ou a pressão arterial elevada e, em seguida, tratar diretamente os danos na visão.

Atualmente, já são ofertados no Sistema Único de Saúde (SUS) anti-inflamatórios, diuréticos e corticoides, além de medicamentos para controlar o diabetes. A terapia padrão para tratamento de EMD é feita por injeções intravítreas de anti-VEGF, que bloqueiam a proliferação dos vasos sanguíneos anormais na retina.

Consulta Pública

No último dia 5 de março, ocorreu uma reunião da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS - Conitec, que discutiu, entre outros temas, a inclusão de medicamentos biológicos anti-VEGF para o tratamento do EMD no sistema público de saúde (SUS). Essas medicações, injetáveis no olho, tratam as lesões da retina, causadas por vazamento e crescimento anormal dos vasos sanguíneos em doenças que podem provocar diminuição da visão, e são capazes de impedir a progressão da doença, evitando a perda da capacidade visual.

"O EMD é uma doença grave, incapacitante e, por isso, devem ser dadas aos médicos e pacientes atendidos pelo SUS opões seguras e eficazes para seu tratamento", destaca Touma.

 

 

 

 

 

 

Fonte: Folha Vitória