10 de Ago de 2020

O tipo de acidente mais frequente é a queimadura química

Em meio à pandemia de coronavírus, crianças em casa multiplicam lesões nos olhos. Segundo o oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Neto, algumas acontecem por travessura, outras por acidente. Entre crianças a causa mais frequente de ferimentos oculares são as queimaduras químicas por produtos de limpeza ou medicamentos. “Logo no começo da pandemia atendi um menino que pingou produto de limpeza no olho e nem conseguia abrir as pálpebras quando chegou ao consultório”, conta. Há alguns dias, viralizou na internet o depoimento da mãe de Bento, que deixou cair álcool no olho.

Álcool ou qualquer outro produto que caia no olho, recomenda lavar abundantemente, não instilar qualquer remédio, evitar esfregar os olhos e buscar atendimento oftalmológico imediatamente. A dor só é intensa, explica, quando o produto atinge a córnea, lente externa do olho que é comparada ao vidro do relógio por estar situada na frente do globo ocular. O desconforto é leve, mas também perigoso, quando a parte atingida é a conjuntiva que recobre a porção branca do olho.

Por sorte, apesar de ter atingido a córnea, a queimadura nas duas crianças foi superficial e a recuperação rápida. O problema, adverte, é que nem sempre o final dos acidentes é feliz. Prova disso, é que as lesões e doenças na córnea são a terceira maior causa global de deficiência visual. Só perdem para a catarata e glaucoma. Anualmente somam 1,5 milhão de novos casos de perda da visão.

Prevenção

Queiroz Neto afirma que a melhor forma de prevenir acidentes nos olhos dos filhos durante a pandemia é seguir a recomendação dos fabricantes de medicamentos e produtos de limpeza – mantenha fora do alcance das crianças. Dentro de casa é mais indicado lavar as mãos com água e sabão.

Tratamento

O especialista afirma que o tratamento varia de acordo com a gravidade da queimadura. Nos casos leves, depois de examinar e higienizar a superfície do olho, o médico  faz um curativo com anti-inflamatório para diminuir a irritação e aliviar a dor. A recuperação acontece em até três dias. Dependendo do tempo de exposição, o álcool pode provocar ulcerações na córnea. Foi o que aconteceu com um universitário que seguindo uma moda lançada nos Estados Unidos derramou vodca no olho para embriagar mais rápido. “É claro que não conseguiu o objetivo. No olho só cabe uma gota de vodca e ninguém fica alto com uma dose dessas”, afirma. O problema é que o estudante insistiu na técnica. O estrago foi tamanho que depois do uso de colírio, Queiroz Neto teve de fazer um transplante de córnea no estudante.

Não menos graves são as queimaduras em acidentes de trabalho como foi o caso de um motorista que queimou o olho na explosão de uma carga. Para recuperar a visão do paciente Queiroz Neto conta que implantou na área lesada células-tronco retiradas da membrana amniótica, parte interna da placenta. O oftalmologista explica que a técnica só é possível porque as células da membrana amniótica conseguem se diferenciar para reconstruir a superfície do olho. Além disso têm propriedade anti-inflamatória e cicatrizante. Entretanto, a técnica cirúrgica não é indicada para todos os casos porque a membrana se transforma em vários tecidos, mas não em todos.

O que vem por aí

Queiroz Neto afirma que em várias partes do mundo cientistas buscam por um hidrogel que substitua o transplante de córnea. Isso porque, as doações são menores do que a demanda por transplante no mundo todo. O último hidrogel desenvolvido no Canadá pode ser usado em perfurações totais, é injetado no olho em um procedimento ambulatorial e seca em cinco minutos. Ainda não está disponível no Brasil e apesar de ser menos invasivo que um transplante convencional, para ele a prevenção que mantém a integridade do olho é sempre melhor.

Fonte: assessoria de comunicação do Instituto Penido Burnier