04 de Dez de 2020

Os principais vilões são a maior proliferação de bactérias, ar condicionado, água do mar ou piscina

Usar lente de contato em dias quentes requer o dobro de cuidado no manuseio e higiene. No Brasil mais de 2 milhões de pessoas corrigem a visão com lente. Predominam altos míopes, quem tem ceratocone e nem sempre consegue ter uma correção visual satisfatória com óculos e mulheres que não gostam da interferência de uma armação na frente dos olhos. Segundo o oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Neto, os prontuários mostram que durante o calor o número de contaminações chega a dobrar em relação aos meses mais frios. Isso porque facilita a proliferação de bactérias que formam depósitos nas lentes e podem contaminar o estojo. Caso estes depósitos não sejam eliminados por uma higienização profissional, antecipa o vencimento da lente. Isso explica que o uso além do prazo de validade ou durante a noite é responsável por 45% das contaminações.

Alerta

Queiroz Neto afirma que vermelhidão nos olhos, sensibilidade à luz e visão borrada são os principais sinais de que algo está errado. “Insistir no uso da lente sentindo desconforto pode provocar úlcera na córnea e até cegar”, comenta. Por isso, quando o olho fica vermelho ele recomenda retirar as lentes e consultar um oftalmologista imediatamente. "Colocar um colírio por conta própria pode piorar o problema, mesmo que os olhos fiquem temporariamente mais brancos", adverte.

Lente escleral protege os olhos

O oftalmologista explica que a lágrima tem a função de proteger os olhos das agressões externas e pode ressecar em pessoas que permanecem em ambientes com ar condicionado. Uma alternativa são as lentes esclerais que funcionam como um protetor da superfície ocular. Isso porque cobrem a córnea e a esclera (parte branca do olho), minimizando a evaporação da lágrima. Este tipo de lente também é indicado para quem tem ceratocone, abaulamento da parte central da córnea e outras doenças que afetam a mucosa ocular, entre elas, a síndrome de Sögren e a Síndrome de Stevens Johnson.

Nadar ou dormir com lentes pode cegar

“Quem usa lente de contato deve optar por óculos de grau quando vai à piscina ou praia”, adverte. O contato da lente com água contaminada por bactérias, cloro e até filtro solar pode causar uma infecção na córnea ou uma conjuntivite tóxica. Além disso, entrar na água do mar ou de piscina usando lente aumenta o risco de contrair acanthamoeba, um parasita que dificilmente é controlado com medicamentos. Já durante o sono, o especialista diz que a produção lacrimal diminui e a falta de oxigênio na córnea aumenta entre 10 e 20 vezes o risco de deformação da córnea.

Outro erro comum, observa, é usar soro fisiológico para higienizar a lente e o estojo. O produto pode contaminar os olhos porque não tem conservante. Para pessoas alérgicas às soluções higienizadoras a recomendação é usar frascos de dose única de soro.

Manutenção

As principais recomendações do médico para quem prefere usar lente são:

Fazer a adaptação com um oftalmologista. Lentes que não acompanham a curvatura da córnea podem causar lesões graves.

Lavar cuidadosamente as mãos antes de manipular as lentes.

Utilizar soluções higienizadoras tanto na limpeza quanto no enxágüe das lentes e estojo.

Friccionar as lentes para eliminar completamente os depósitos.

Não usar água de torneira ou sobra de soro fisiológico depois que a embalagem for aberta.

Retirar as lentes antes de remover a maquiagem e quando usar spray no cabelo.

Colocar as lentes sempre antes da maquiagem.

Guardar o estojo em ambiente seco e limpo.

Trocar o estojo a cada quatro meses.

Respeitar o prazo de validade das lentes.

Jamais dormir com lentes, mesmo as liberadas para uso noturno.

Interromper o uso a qualquer desconforto ocular e procurar o oftalmologista.

Retirar as lentes durante viagens aéreas por mais de três horas.

Não entrar no mar ou piscina usando lentes.

 

 

 

 

 

Fonte: assessoria de comunicação do Instituto Penido Burnier