04 de Dez de 2020

Procure um oftalmologista em algum desses casos

Fique atento aos sinais de que sua visão não vai bem

O instituto de pesquisas Ibope mostrou em 2019 que cerca de 34% dos brasileiros nunca foram ao oftalmologista, o que representa pouco mais de um terço da população. A mesma pesquisa apontou também que, boa parte das pessoas, procuraram ajuda apenas quando sentiram necessidade de usar óculos, ou por algum outro motivo que atrapalhasse a vista. Este hábito ruim não é bem recebido pelos oftalmologistas, pois existe o risco das doenças serem notadas apenas quando a situação já está avançada. “É importante que as pessoas tenham o hábito de se consultar. Diversas doenças que acometem os olhos são silenciosas, com nenhum tipo de manifestação clínica. O paciente não percebe e perde a oportunidade de detectar ainda no início, numa consulta de rotina”, explica o Dr. Felipe Erthal.

Entre os problemas citados está o glaucoma, onde o paciente vai perdendo a visão aos poucos, e em estágios finais da doença. “A gente acaba perdendo a janela de oportunidade para tratar este paciente”, reforça o Dr. Felipe, que sugere duas divisões entre os problemas que mais levam os pacientes às consultas.

No primeiro grupo estão os pacientes com dificuldade de enxergar, seja para longe ou perto. Neste grupo estão problemas mais ‘tradicionais’ como miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia, geralmente tratados com uso de óculos e lentes de contato nos casos iniciais. Já o segundo grupo concentra problemas mais ‘agudos’. “Entre eles, os principais motivadores que levam os pacientes a procurarem o oftalmologista são as conjuntivites, que deixam os olhos vermelhos, com sensação de areia junto com secreção”, descreve Erthal.

Esperar por sintomas mais sérios pode atrapalhar o diagnóstico precoce de doenças oculares — Foto: Jonathan Campos

Esperar por sintomas mais sérios pode atrapalhar o diagnóstico precoce de doenças oculares — Foto: Jonathan Campos

Confira 04 sinais que demandam um agendamento imediato ao consultório oftalmológico:

  • Dores frequentes de cabeça: Dor latejante, principalmente atrás dos olhos ou sobrancelhas. Pode ser sinal de que os olhos estão compensando alguma coisa. E isso pode levar a dores de cabeça;
  • Olhos vermelhos e inchados: São sinais claros de conjuntivite. Outros sintomas são queimação, coceira, sensibilidade à luz ou secreção. Esses problemas podem ser causados por uma infecção viral ou bacteriana, bem como alérgenos;
  • Manchas ou flashes de luz estranhos: Você enxerga pequenas manchas escuras ou faixas onduladas? Se isso acontece esporadicamente, pode não ser um grande problema. Mas se é frequente, agende imediatamente uma consulta;
  • Dor: A dor nunca pode ser ignorada. E isso vale para a visão. Quando ela é aguda ou latejante, e não desaparece mesmo após um período de descanso, pode ser um sinal de inflamação, olho seco, ou um problema de sinusite. Existe, ainda, um indício de glaucoma.

Antes dos sinais de alerta

Para evitar que problemas mais graves avancem sem ser notados, o mais correto é manter uma frequência de visitas ao oftalmologista. “O ideal seria uma vez por ano, principalmente em pacientes na fase da adolescência e que tem algum tipo de aumento do grau, dificuldade visual já na fase escolar”, comenta Erthal. A frequência anual pode continuar até por volta dos 21-23 anos, ou quando o grau de miopia parar de aumentar, por exemplo.

A visita anual é recomendada também para casos que tratam presbiopia, ou que já estão na faixa dos 40-50 anos. Por fim, a rotina de ir ao oftalmologista uma vez ao ano também é recomendada para pacientes que já têm alguma doença ocular diagnosticada, e para quem é usuário de lentes de contato.

A falta de uma rotina de consultas pode fazer com que doenças que pioram silenciosamente demorem para ser notadas. Entre elas está o ceratocone, que afeta pacientes jovens, entre 14-25 anos. “Esses pacientes normalmente são atópicos, com alergias crônicas, coceira constante nos olhos”, comenta o doutor Felipe. Ele explica que, em alguns casos, o paciente com ceratocone acaba se acostumando com a visão um pouco mais embaçada, e a exigência deste paciente em relação à qualidade visual fica menor - o que leva a retardar o diagnóstico precoce.

“Geralmente durante uma consulta ao oftalmologista, solicitamos exames. Se detectado precocemente existe uma série de medidas para que o ceratocone não evolua de forma agressiva, com a necessidade de transplante de córnea”, completa Erthal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Portal G1