08 de Ago de 2022

Dado consta do primeiro estudo multicêntrico em larga escala da América Latina, coordenado pelo Hospital Oftalmológico de Brasília, e que analisou 835 olhos no Brasil

Hoje é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Portadores de glaucoma de ângulo aberto e hipertensos oculares podem comemorar: recentemente, o oftalmologista Dr. Ricardo Yuji Abe esteve à frente de um grande estudo multicêntrico realizado em todo Brasil e obteve resultados animadores tratando 835 olhos com a aplicação do SLT (trabeculoplastia seletiva a laser, na sigla em inglês). Da totalidade de participantes, 88% ou conseguiram manter a pressão ocular alvo sem usar colírio; ou tiveram uma redução de pressão intraocular; ou, ainda, diminuíram o número de colírios que precisavam utilizar diariamente. Esse é o primeiro estudo em larga escala da América Latina que reuniu um grande número de pacientes brasileiros e reforçou trabalhos prévios sobre a utilização da trabeculoplastia a laser para pacientes hipertensos oculares ou portadores de glaucoma de ângulo aberto. 

Para chegar às conclusões, o grupo selecionado de pacientes foi acompanhado durante dois anos e meio e o impacto positivo foi verificado principalmente nos primeiros meses após a aplicação do laser. "Apesar da eficácia diminuir com o passar do tempo, esse já é um ganho enorme para o portador de glaucoma ou hipertensão intraocular, pois ao postergar o uso de colírios ou mesmo retirar pelo menos um deles, conseguimos reduzir os possíveis efeitos colaterais das medicações. Além disso, há a questão financeira, já que o gasto mensal com os colírios pode ser minimizado com a realização do laser, mesmo que por um determinado período.  Ou seja, uma solução que, sem dúvida, melhora muito a qualidade de vida das pessoas", ressalta o Dr. Ricardo Yuji Abe.

O glaucoma evolui silenciosamente e, por isso, o pacierntrer só percebe que tem dificuldade em enxergar quando o problema está em um estágio bem avançado e não dá mais para recuperar a visão afetada — situação que poderia ser evitada caso a doença fosse detectada ainda na fase inicial. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que, em 2040, mais de 111 milhões de pessoas terão este diagnóstico. No Brasil, a patologia atinge mais de 900 mil indivíduos, de acordo com o Ministério da Saúde. Nos últimos anos, a pandemia potencializou ainda mais as estatísticas, provocando a evasão de pessoas dos consultórios oftalmológicos, derrubando em 30% o número de diagnósticos precoces da doença. Pessoas com mais de 40 anos com histórico familiar, população de etnia africana ou asiática, indivíduos que sofreram lesões físicas no olho, uso excessivo de medicamentos à base de corticoides e outras condições médicas são fatores de risco para desenvolver a doença.

Cerca de 80% dos casos são de glaucoma primário de ângulo aberto, o mais comum, que evolui de forma assintomática, na maioria das vezes, sem que o paciente sinta dor, coceira, ardência ou qualquer incômodo visual. Já o glaucoma de ângulo fechado provoca elevação rápida da pressão intraocular, podendo levar a sintomas como dor ocular e cefaleia.  Em todos os casos, se não houver tratamento adequado e em tempo hábil, o paciente pode desenvolver cegueira total.

Embora não tenha cura, o glaucoma, normalmente, pode ser controlado com tratamento adequado e contínuo, fazendo com que a perda da visão seja interrompida. Em grande parte dos casos, é necessário o uso de colírios diariamente para controle. Com o avanço de novas tecnologias, hoje é possível oferecer ao paciente um tratamento mais moderno, com aplicação de laser ou procedimento cirúrgico. "Fundamental é que o check-up oftalmológico seja realizado anualmente, pois isso possibilita o diagnóstico precoce de diversas patologias oculares, proporcionando um tratamento adequado aos pacientes", ressalta o Dr. Ricardo Yuji Abe.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: assessoria de comunicação do Grupo Opty